sexta-feira, 11 de maio de 2018

Os Falsos Profetas

Abrindo a Bíblia
Texto: Mateus 7.15-20
Reflexão de Hoje: Os Falsos Profetas

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”
Não é de admirar que Jesus tenha demonstrado tanta preocupação quanto aos falsos profetas, pois estes causam terríveis danos à igreja. Eles buscam tenazmente infiltrar-se entre o povo de Deus para pôr em prática seus objetivos. Eles são perigosos, ardilosos e astutos. A bíblia os compara a lobos.
Fazendo um paralelo entre o joio e os falsos profetas, podemos chegar a conclusão de que ambos aparecem quando não há vigilância (Mt 13.25) vigilância no sentido de saber de que nós como igreja estamos em guerra, e mesmo que essa guerra se dê no mundo espiritual (Ef 6.12-20), o seu reflexo no entanto, é no mundo físico. Os instrumentos usados contra a igreja são físicos, são pessoas, são movimentos, são grupos, e todos estes tem por trás de si satanás. A vigilância nos recomenda prevenção e cautela. Cautela contra os falsos profetas e contra todos os inimigos da igreja.
Qual o objetivo dos falsos profetas e quem eles são?
l) Objetivo dos Falsos profetas:
  • Roubar, matar e destruir (Jo 10.10)
Como lobos eles roubam a ovelha, eles matam a ovelha, eles destroem o rebanho.
  • Semear a semente do mal (Mt 13.25)
Assim como a palavra de Deus produz o trigo, assim também a má semente produz o joio.
Paulo diz: “...entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (At 20.29)
  • Conduzir o rebanho para um falso deus (Ap 2.20)
Jezabel introduziu em Israel outro altar e outro deus, ela mudou o sacerdócio, e assalariou profetas para profetizarem por baal. (1Rs 17 e 18)
Mudar o altar é mudar de Deus, mudar os critérios é mudar de aliança.
  • Destruir pilares estruturais da família e da igreja (1Tm 4.13)
Os Falsos profetas não valorizam a família, já estão no terceiro ou quarto relacionamento. Desprezam a hierarquia eclesiástica e a sua estrutura.
  • Conciliar a igreja com o mundo (Ap 2.20)
Para eles os valores cristãos precisam ser adaptados ao contexto social e ao tempo (Isso faz parte do processo de secularização)
  • Estimular o sincretismo religioso (Ap 2.20)
Adotam métodos, práticas e crendices de várias religiões e as estimulam.
  • Atrair o rebanho para si (At 20.30)
A igreja perde a identidade de cristã e passa a ser igual ao seu líder.
  • Fazer a igreja pecar. (Ap 2.20)
Eles são como satanás que além de pecar contra Deus, ainda levou outros anjos a pecarem também. Como Eva que não pecou sozinha mas convidou Adão para pecar também.
Muitos pensam que os falsos profetas são apenas àqueles que pregam heresias, e se esquecem, ou não observam atentamente para as palavras de Jesus, pois ele diz que os falsos profetas são aqueles que fazem uso da palavra, mas não vivem, e ao invés disso, vivem na prática da iniquidade. (Veja o texto de Mateus 7.22,23 e seu contexto em Mt 7.15)
Falso Profeta Gr. “pseudoprophetes”: Falso vaticinador ou impostor religioso.  Esta terminologia se aplica bem a Jezabel de Tiatira. Diz o texto que ela se declarava profetisa, e não passava de uma impostora (Ap 2.20).
Jesus mencionou duas características principais para identificarmos os falsos profetas. Estas características são a base para as demais.  Mas veja que no geral tudo está relacionado ao dizer ser o que não é.
Muitos dizem estar profetizando em nome de Deus. Muitos dizem que Deus falou com eles ou está falando, quando na verdade isto não aconteceu ou não está acontecendo.
Você já ouviu alguém dizer algo parecido com isso? “Eu estou aqui hoje na qualidade de profeta”. Cuidado! Mas quero aqui amenizar dizendo que a grande maioria faz isso sem entender o peso do que está dizendo. Vou explicar por que. Profeta não é uma opção que se faz, ou uma escolha própria, é algo que não se decide ser. Profeta é de escolha exclusiva de Deus. Leia comigo.
A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.
Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres?
Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos?
Entretanto, procurai, com zelo os melhores dons. (1Co 11.28-31)
Como você pôde ver, o que está escrito é que nem todos são profetas, o dom de profetizar, e mesmo o chamado de profeta não é distribuído coletivamente na igreja, cada um é chamado e cada um recebe de Deus o dom segundo a sua vontade e propósito.
Vamos para as características.

(ll) Características dos falsos profetas:
  • Aparentam ser o que não são. (Mt 7.15; Ap 2.20)

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. (Mt 7.15)
Eles possuem apenas a aparência; eles dizem ser, mas, na verdade não são.
A bíblia nos diz que os verdadeiros profetas são identificados como tais em decorrência das provas incontestáveis. Eu as chamo de provas ministeriais e provas comportamentais.
Exemplo:
Certo dia, passou Eliseu por Suném, onde se achava uma mulher rica, a qual o constrangeu a comer pão. Daí, todas as vezes que passava por lá, entrava para comer.
Ela disse a seu marido: Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus. (2Rs 4.8,9)

Estas são provas comportamentais. Não havia nada que desabonasse a conduta de Eliseu. Ele não se aproveitou do fato da mulher ser rica, mas como um homem de Deus manteve-se exemplar. Eliseu não se apresentou como homem de Deus, mas foi esta mulher quem disse ser ele um homem de Deus.
Ele não se auto intitula, ele é reconhecido como tal.

Vamos para outro exemplo, o da prova ministerial.
O Senhor atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.
Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e o deu a sua mãe, e lhe disse: Vê, teu filho vive.
Então, a mulher disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade. (1Rs17.22-24)

Estas são as provas ministeriais. A maioria dos que eu vi e ouvi por aí não tem estas provas. Deus atende a voz do profeta para que milagres extraordinários aconteçam. Sabe onde muitas pessoas erram? Eles pensam que todos são profetas, e não são. Você pode ser apenas um homem de Deus, ou uma mulher de Deus, e isso por si só já algo maravilhoso. Mas se você diz que algo vai acontecer e esse algo não acontece, então, a palavra na tua boca não é verdade e você não é profeta.
Jesus descreve que estes falsos profetas são capazes de enganar, pois são filhos do pai da mentira. Satanás é expecialista em imitar.
Eles profetizam, expulsam demônios, e até realizam milagres (Mt 7.22,23)
Os falsos profetas são instrumentos do diabo no meio do povo de Deus. Satanás é quem os inspira, pois, o intuito é aprisionar e enganar se possível até os escolhidos.
O diabo conhece a palavra mais do que qualquer homem (Mt 4.5,6)
O diabo pode transformar-se em anjo de luz e faz dos seus ministros, ministros da justiça (2Co 11.14,15)
O diabo é capaz de realizar prodígios (Êx 7.11,12; Ap 13.11-15)
Os falsos profetas são capazes de enganar uma pessoa, uma família, e até uma congregação inteira. Eles possuem o dom da falsificação. Eles usam do engano, da sedução, da sugestão, e de artifícios. É incrível como as pessoas são enganadas tão facilmente. Eles têm aparência, e nisso são mestres, mas o íntimo revela quem eles são de fato. Jesus disse que é do coração do homem que procedem as saídas da vida (Mt 15.19), não há como negar o que está no coração. Às vezes eu ouço o rádio e sintonizo a estação, de repente alguém faz a leitura de um texto que me chama a atenção, e eu penso que benção! Meu entusiasmo fica por ai! Não estou falando da questão da aplicabilidade do texto, isso é outra coisa, o que eu estou falando é da intenção da aplicação do texto. Nenhum deles foge do esperado, pode ser até um texto de algo puramente espiritual, transcendente a matéria, mas eles vão fazer uma aplicação que envolva o dinheiro, a conquista de bens terrenos. Ninguém quer mais o céu, o que eles querem é a terra. Isso nos leva a segunda característica.
  • Interiormente são lobos (Mt 7.15)
Antes de destacar esta característica, preciso falar que na maioria das vezes esses falsos profetas entram primeiro nos lares antes de entrarem nas igrejas.
Paulo diz: “Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” (2Tm 3.6,7)
Mesmo que se mostrem como ovelhas, eles são na verdade lobos devoradores. Eu acredito que você já ouviu alguém dizer: Ele é uma benção, é usado, mas... Não sejamos ingênuos, pois não podemos desassociar a vida ministerial da vida particular.
Jesus diz que os falsos profetas são praticantes da iniquidade. Não se enganem!
(lll) Como combater os falsos profetas.
  • Presença efetiva. (At 20.29)
“Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos devoradores”. A presença do pastor inibe a aparição dos lobos. Quando o pastor é vigilante e atento, dificilmente os lobos arrebatarão as ovelhas.
Preciso destacar algo neste episódio de Paulo em Éfeso. É preciso que todos sejam cuidadosos e vigilantes como o bom pastor. Na ausência do pastor cuide do rebanho. O predador anda sorrateiramente entre os arbustos esperando o momento certo e a presa certa. Para o predador a vítima certa é aquela que está sozinha e vulnerável. A vítima é aquela que não está perto do mais forte. Não esteja só, não se sinta só, Jesus é o mais forte. Esteja sempre na companhia dos mais fortes para que você cresça e seja forte também.
  • Fazendo uso da palavra. (Mt 4.4,7,10; 13.24)
A palavra de Deus é a espada da verdade que o bom soldado usa para combater as mentiras de satanás. Ela é também a nossa defesa contra as investidas do inimigo (Sl 91.4) A palavra de Deus liberta e limpa a nossa mente do engano que aprisiona os homens (Jo 15.3; Jo 8.36)
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. (1Tm 4.15)
A ovelha bem alimentada e cuidada segue o seu pastor. Ela conhece a sua voz e ela o segue, e não seguirá o falso. (Jo 10.1-5)
Não há nada melhor do que contar com a ajuda de um pastor, um irmão ou irmã, ou seja, uma pessoa idônea e que esteja sempre disposta a nos ajudar; isto é ótimo,  porém, isto não nos exime da responsabilidade da vigilância. Precisamos estar atentos e de olhos bem abertos, e para tanto precisamos manter a nossa comunhão com Deus e com a sua palavra. Infelizmente na maioria das vezes são as próprias ovelhas que abrem a porta para o lobo.
A bíblia faz a recomendação para que todos tenham cautela quanto ao surgimento dos falsos profetas.
Você gosta de estudar a Bíblia? Não! Ela é a lâmpada que deixa tudo mais claro. Ela nos ajuda para não tropeçar. É a palavra que fala a verdade e é ela quem nos ajuda em nosso crescimento e fortalecimento.
Esteja atento e alerta, não durma o sono da displicência.
Na fé, na vigilância e na prudência.
(R.Silva)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Jó, um homem, uma lição



Jó, um homem, uma lição.
“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1)
Introdução:
Temos em nossas mãos uma joia de estimado valor: O livro de Jó. É um livro poético, dramático, revelador e inspirador. Seu estilo literário é poético, com um tom biográfico. Este livro ganha destaque entre outros pela forma como a teologia primitiva ancestral é apresentada. Esta teologia primitiva apresenta Deus como um ser punitivo e recompensador. É um livro de grandes debates teológicos, e Jó por sua vez faz a sua abordagem subsequente firmado em sua experiência pessoal com Deus, e por razão do dialogo com o todo poderoso. Jó sem sombra de dúvidas desenvolve sua teologia a respeito de Deus pela prática baseada no diálogo e nos atos de Deus. Jó não é especulador, e nem teórico, ele ultrapassa o nível da teoria rasa e é levado ao nível da profundidade da verdade real e prática sobre Deus. Dito isto, não faremos especulações alguma a respeito do livro e do personagem em questão. Não faremos uma abordagem critica analítica, histórica ou técnica. Iremos apresentar os fatos como eles são. Lançaremos mão de uma das regras básicas e fundamentais da interpretação bíblica que é: A bíblia explica a própria Bíblia.
Pretendemos de forma simples, dentro de nossa limitação compartilhar de algumas verdades contidas no livro. Pretendemos com isso acrescentar valores à vida de cada um.
O nome de Jó é uma transliteração da palavra hebraica “Iyyôbh” ou “Iyov” que significa odiado ou perseguido. Jó viveu em um período anterior ao da monarquia de Israel, e por essa razão não há nenhuma menção de reis israelitas. Para muitos o livro de Jó é um folclore, um conto primitivo. Porém Jó é mencionado como pessoa pela boca do profeta Ezequiel (Ez 14.14,20) e por Tiago também (Tg 5.11) nenhum dos dois o vê como personagem folclórico, ou como parte de um conto. Jó é um patriarca, é um herói da fé, e por isso merece todo nosso respeito e admiração.
Como disse que o livro nos apresenta algumas verdades, então, a primeira verdade é: “Ninguém é tão bom que não precise ser melhorado”.
Para muitos o motivo da provação de Jó era: 1) Ele fazia parte de uma disputa entre Deus e o diabo. 2) Deus prova para aprovar depois.
Será mesmo?
Vamos mostrar pela palavra de Deus qual foi o real motivo. Lembrem-se: “A bíblia explica a própria bíblia”.
O começo do livro é interessante. Satanás aparece como um ser que não tem o que fazer. Ele está rodeando e passeando pela terra (1.7) de repente ele se apresenta diante da corte celestial; Deus então o indaga sobre sua ocupação, e é ai que o nome de Jó é mencionado por Deus (1.8) observe uma coisa, aqui há outra verdade: “Satanás vive em busca de nossos defeitos, enquanto que Deus conhece nossas virtudes”. Deus faz elogios, fala das virtudes de Jó. Satanás então faz acusações:
Ele acusa Jó de ser interesseiro; acusa Deus de comprar com presentes a fidelidade de Jó, e ainda diz que Jó blasfemaria se fosse retirado todo o cuidado dispensado sobre ele.
Por mais que o texto direcione para essa linha de pensamento de que Deus foi incitado por Satanás (2.3), ainda assim precisamos observar bem o texto e enxergar a dica apresentada: Foi Deus quem direcionou a conversa, foi Deus que mencionou Jó. Deus está no controle, Deus não é marionete, e nem é induzido a nada. (Tg 1.13)
Deus usa a psicologia reversa, uma forma de fazer com que o outro faça, sem que ela saiba que você quer.
Mais uma verdade: “Todos os atos de Deus são propositais”.
Deus tem um propósito, ele tem algo em mente, e no plano de Deus Jó é o alvo de seu propósito e o diabo é o instrumento (Não se assuste mais é verdade) No livro de 2crônicas 18. 19-21 Deus tem um plano de dar para o rei ímpio Acabe o que ele quer. Acabe não quer a verdade, ele quer ouvir a mentira, pois, a verdade ele conhecia, e baseado na verdade ele perderia. Então Deus lhe dá o que ele quer. Deus não mente (Nm 23.19) “Deus não é homem para que minta”, mas quando o homem não quer ouvir a verdade, então ele permite que falsos profetas falem.
O processo na vida de Jó tem inicio. Ele perde os bens, os filhos, ele perde tudo. Jó permanece fiel, firme e não blasfema. (1.21,22) “O Senhor deu e o Senhor tomou: Bendito seja o nome do Senhor”.
Jó permanece firme em seu propósito, ele continua adorando a Deus mesmo na dor. Jó era um homem de muitas virtudes. Estas virtudes foram mencionadas por Deus. O Senhor chega a dizer que não há na terra alguém semelhante a ele (1.8) Jó é um homem integro e reto, temente a Deus e que se devia do mal (1.8), mas essas não são as únicas virtudes de Jó, vejamos:
Ele era conselheiro (4.2-4)
Respeitava os votos matrimoniais (31.1)
Era justo com seus servos (31.13)
Socorria o pobre e a viúva (31.16)
Repartia o pão com o faminto (31.17)
Vestia os descamisados (31.19)
Era advogado dos injustiçados (31.21)
Não era avarento (31.24)
Não era incessível com a dor do próximo (31.29)
Não era maldizente (31.30)
Realizava obras de caridade (31.31)
Era hospitaleiro (31.32)
Era exemplar, não ocultava o pecado, era irrepreensível (31.33)
Era bom pagador, era honesto (31.39)
É difícil compreender o porquê da provação com uma lista dessas.
Assim como o fogo revela primeiro a impureza para depois mostrar o brilho do ouro, assim a provação vai revelar onde Jó precisava melhorar para depois mostrar seu grande valor.
O livro de Jó revela uma teologia ancestral primitiva. A visita dos amigos de Jó é extremamente reveladora. Seus amigos ao invés de demonstrarem atos de bondade, aproveitaram o momento para fazer acusações usando a “Teologia ancestral primitiva” que é baseada no mérito. Essa “Teologia” apresenta Deus como um ser punitivo e vingativo, e que favorece o penitente arrependido. Aqui recebemos mais uma lição: “As pessoas dão o que elas têm”. Muitos são teólogos teóricos e vazios, desprovidos de misericórdia e amor. O amor é a marca da igreja de Cristo.
A “Teologia ancestral” é a base condutora e formadora de comunidades primitivas. Os fenômenos, a ventura ou desventura é respondida com base nesta teologia (27.1-23). Os amigos de Jó fazem seu julgamento a respeito de Jó baseado nesta teologia. Eles esperam que Jó confesse a sua culpa, pois segundo esta teologia o justo não passa por desventuras. Jó não faz isso, ele está convicto de sua inocência. Jó não tem medo de nada, a sua conduta ilibada lhe dá segurança (4.6/6.21-30) Ele chega a fazer uma afirmação de confiança: “Ao meu juiz eu pediria misericórdia” (9.15) e mais: “a minha testemunha está no céu, e, nas alturas, quem advoga a minha causa” (16.19)
As palavras de Jó mostram força, convicção mesmo diante da adversidade, da acusação. Quando a sua mulher lhe sugere perder a integridade amaldiçoando Deus ele responde: “Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (1.9,10) Que força, que coragem! Jó é uma fortaleza.
Algo muda de repente. Jó revela medo em um suspiro (3.25) “Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”.
Jó possuía medo de perder algo. O que seria esse algo?
Perder os bens?
Não era, pois quando perdeu não reclamou.
Perder os filhos?
Por mais doloroso que poderia ter sido não acredito que tenha sido, pois não reclamou e nem amaldiçoou por isso.
Perder a saúde?
Isso foi terrível também, mas não era esse o medo de Jó.
Jó começa a sentir o peso da dor da provação porque não encontrava respostas (3.23) A falta de conhecimento, o porquê parece que está sendo negado a ele. Este é o momento que o fogo da provação começa a fazer efeito.
Jó era conselheiro, suas palavras ajudaram a muitos, mas agora estas lhe faltam (4.2-4) Quando gozamos de benefícios, é mais fácil aconselhar, pois baseamos nossa segurança nas nossas experiências e naquilo que possuímos (4.5)
Havia pontos na vida de Jó que precisavam de um retoque, de um reparo, de uma limpeza.
Para o diabo a fidelidade de Jó era puramente interesseira; para Deus o melhor homem poderia se tornar em alguém melhor ainda.
Jó precisava de uma experiência que o fizesse conhecer a si mesmo. Mais uma lição neste livro. “Só possuiremos conhecimentos de nós mesmos quando formos testados ao extremo”. Nosso limite só quem conhece é Deus. Nem mesmo o diabo conhece, e nem nós mesmos conhecemos. O diabo pensava que Jó iria blasfemar, Jó pensava que não iria suportar. Deus sabia, Deus conhece nosso limite.
O medo de Jó:
Jó possuía medo de perder a reputação. A bíblia vai provar isso. Se não, vejamos:
Os amigos de Jó o acusam de estar errado, é aqui que percebemos mais uma dica do texto. Elifaz, Bildade e Zofar faziam parte do plano de Deus. São estes que passam a acusar Jó. As acusações mesmo que injustas, pois Jó não está em pecado, mas elas fazem parte do processo.
Estes três amigos de Jó tem a missão de tocar na reputação de Jó. Todos os eventos estão diretamente ligados: A conversa de Deus com o diabo, a provação, a visita dos três fazendo acusações. Jó neste momento está no fogo da provação, e a sujeira começa a aparecer.
Jó se justifica. Após fazer reclamações, ele se justifica por estar sofrendo (6.2,3)
O homem confiante dá lugar ao sem esperança (6.13)
Jó faz uma declaração que chama atenção:
“A minha honra se renovará em mim, e o meu arco se reforçará na minha mão. Os que me ouviam esperavam o meu conselho e guardavam silêncio para ouvi-lo. Havendo eu falado, não replicavam; as minhas palavras caiam sobre eles como orvalho. Esperavam-me como a chuva, abriam a boca como à chuva de primavera. Sorria-me para eles quando não tinham confiança; e a luz do meu rosto não desprezavam. Eu lhes escolhia o caminho, assentava-me como chefe e habitava como rei entre as suas tropas, como quem consola os que pranteiam” (29.20-25)
Seria isso um excesso, ou uma simples demonstração de seu papel?
Não há nada de errado em buscar ser irrepreensível (27.5,6), aliás, esta deve ser nossa motivação (4.6/Ef 1.4) Não há nada de errado em buscar o aperfeiçoamento, e ter a certeza de que se é útil. Porém, quando eu começo a dar mais valor no que eu tenho do que naquele que me dá, então, ai há um problema. Eu aprendo uma lição: “o dom não pode ser mais valorizado que o doador”.
Jó faz acusações contra Deus.
Ele se justifica e acusa Deus.
Ele confiava tanto em sua integridade que se apresenta diante de Deus como um advogado de defesa e solicita a vista dos autos do  processo para poder preparar a sua defesa (10.2) “Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo”. Que acusações têm contra mim?
Ele acusa Deus de querer fazê-lo perder a honra (19.9) “Da minha honra me despojou e tirou-me da cabeça a coroa”.
(19.6) “Sabei agora que Deus é que me oprimiu, e com a sua rede me cercou”.
Assim como o fogo revela a impureza e depois o brilho do ouro, assim a provação está revelando Jó.
A bíblia revela que Jó precisava passar por esse processo. Deus se dirige a Jó e diz: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento?” (38.2)
(40.8) “Acaso, anularás tu, de fato o meu juízo? Ou me condenarás para te justificares?”.
Jó faz acusações contra Deus:
Jó acusou Deus de injusto (27.2)
Descontrolado na ira (9.13)
Insensível (9.16)
Não faz distinção entre culpado e inocente (9.22)
Sarcástico (9.23,24)
Arquiteto do sofrimento (10.13)
Culpado de Jó ser abandonado (19.13-19)
Predador e torturador (9.11-13/23.13-16)
Alegra-se com o sofrimento (10.3)
Todas estas acusações foram proferidas por Jó. Deus não está ali para condenar, ele está ali para libertar Jó em primeiro lugar da cegueira, da ignorância, da falsa teologia. Jó era tirano de si mesmo, sua justiça ao invés de ser demonstração de piedade e devoção, era, na verdade opressora. Deus fala e Jó cai prostrado e se rende: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos podem ser frustrado” (42.1)
“Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, cousas que eu não conhecia” (42.3)
Como não sabia?
Jó havia afirmado: “Ensinai-me, e eu me calarei” (6.24)
Jó estava errado tanto quanto seus amigos a respeito de Deus.
Seu conhecimento sobre Deus era baseado em uma teologia puramente humana que por meio de raciocínio lógico tentava dar explicações sobre certos fenômenos naturais e sociais. (21.22-33) Esse tipo de Teologia não tem respostas para tudo, desconhece os desígnios de Deus. Teologias regionalizadas não passam de lucubrações. Deus tem propósitos que os homens desconhecem, pois seus atos são elevadíssimos. Ele destina a verdadeira sabedoria para seus servos, para aqueles que humildemente buscam em sua palavra com o propósito de entender e melhor servir.
Observe algo no texto em que Deus diz onde estava o erro de Jó: “Quem é esse que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” (Jó 38.2) “Conselho”: um dos significados é: Parecer que se emite para que outrem o observe. Outro significado é: Ensinamento, critério, juízo. Tudo isso tem a ver com propósito e forma de agir, e Jó está questionando essa forma de agir. Jó está questionando Deus.
Não o interprete de forma errada, pois Jó usou de palavras sem entendimento no fervor da provação e motivado pela dor do sofrimento (6.2,3) “Oh! Se a minha queixa de fato se pesasse, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria, esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares; por isso que minhas palavras foram precipitadas”.
Jó reconhece que o conhecimento que ele possuía de Deus era baseado na ótica de outros, mas agora que ele avançou ele afirma: “Meus olhos te veem” (42.5)
Jó está arrependido: “Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.6)
Deus lhe perdoa, e lhe restitui tudo.
O que Jó ganhou?
Ele ganhou algo mais valioso que o ouro, ele ganhou entendimento real sobre Deus. Jó passou a conhecer a Deus como de fato ele é. Ele entendeu os desígnios de Deus.
Não pense que foi como um passe de mágica que os bens surgiram como muitos gostam de dizer. Veja o texto, a bíblia explica como se deu o processo da restituição: “Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo mal que o Senhor lhe havia enviado; CADA UM LHE DEU DINHEIRO E UM ANEL DE OURO” (42.11) “assim abençoou o Senhor o ultimo estado de Jó mais do que o primeiro” (42.12)
Foi assim que Deus restituiu a Jó. Quem sabe (O texto me permite) Jó recebeu de seus amigos e parentes apenas o necessário para recomeçar, e Deus lhe abençoava em todos os seus negócios, e a cada dia o Senhor ia lhe acrescentando, pois o texto finaliza assim: “assim abençoou o Senhor o ultimo estado de Jó mais do que o primeiro”.
Aprendemos que, quando os recursos desaparecem e quando a mão amiga falta, não devemos nos desesperar, pois o socorro de Deus virá na hora certa. Amém?
Na fé, no aprendizado e na esperança.
(R.Silva)


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Domínio Próprio (Galátas 5.23)


Fruto do Espírito
Domínio Próprio.
Gálatas 5: 22. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. 23. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.

Este tema tem sido tão negligenciado nestes últimos dias. Não quero ser interpretado como saudosista, embora, não há nada de saudosismo em mencionar textos da Biblia, mesmo que seja um tema que não se aborda mais (Isso acontece com alguns). A preocupação de grande parte de nossos pais na fé era a de nos transmitir valores biblicos que nos inspiravam a boa prática Cristã. Esta prática era a que nos diferenciava dos demais, pois, o cristão é definido por sua prática. Não podemos viver no campo da teoria; a teoria em si deve ser vista como a preparação para a prática, pois o conhecimento nos impulsiona e nos habilita para a prática. Muitos quando vão falar sobre o tema do Fruto do Espirito fazem abordagens tão teóricas e razas, e ou, tão "espiritualizadas" que torna-se fácil perceber a falta de prática. A abordagem feita sobre o Fruto é etimológica, lexica, vernacular e tão primitiva que a aplicação torna-se tão despretensiosa. O que esquecemos, ou não observamos é que há uma grande ligação entre a produção do Fruto e a salvação. Jesus disse: (Mateus 7: 19) Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. (ver Mt 7. 15-21) Não são os dons que provam o novo nascimento, e sim o Fruto. Jesus não assegurou que aquele que não mostrar dons ficará fora do Reino, mas ele disse que aquele que não mostrar frutos este sim não entrará no reino. Você pode entrar no Reino sem dons (Deus dá dons à todos), mas sem o Fruto jamais. (ver Mt 7.22) João Batista assegurou que: "já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo". (Mt 3.10) o Fruto é a prova (ver Mt 3.8) A falta de ensino sobre temas fundamentais a fé como este, que são justamente a base de nossa fé tem produzido "frutos maus", e esta é a  razão de tanta rebeldia. Por falta de domínio próprio não se respeita mais os lideres e nem os liderados. Por falta de domínio próprio temos tantos relacionamentos desfeitos. Por falta de domínio próprio temos tanta denominações e convenções e ministério à gosto do "freguês". Muitos não esperam, muitos não toleram, não respeitam, não se submentem, não obedecem. O posto mais alto é almejado com o intuito único e exclusivo de poder e domínio. São homens que não oferecem mais a "outra face", são sacerdotes e levitas que passam de largo do ferido que foi espancado e roubado por "salteadores". O dominio próprio não anula a raiva, a ira, o desejo, porém, não deixa efetivar. Não procure este comentário em livros, biblia de estudo, de aplicação pessoal e etc, pois não irá encontrar, humildemente lhes digo que este entendimento vem das páginas do Livro de Deus. Deus não quer figueiras sem fruto, Deus nos chamou para sermos figueiras frutíferas. (ver Mt 21.19) são figueiras frutiferas que fazem parte do reino, sabe porque muitos não falam mais sobre este tema? Porque a salvação está esquecida, abandonada, para muitos o assunto não é de bom tom. A carne olha apenas para baixo, o espirito para as coisas de cima. A salvação tem a ver com prática, transformação, sacrificio e renuncia. Hoje, o unico sacrificio ensinado são os de valores monetarios para satisfazer o "ego" e alimentar a vaidade. Homens carnais produzem sermões carnais e estes alimentam ouvintes carnais.
Precisamos voltar urgentemente para a palavra, precisamos nos ater ao que está escrito na bíblia e praticar o que é ensinado ali. A falta de conhecimento biblico produz terra fertil para heresias e engano. A falta de submissão à palavra é a prova da falta de "domínio próprio", pois quando a carne fala mais alto, perde-se o desejo pelas coisas de Deus, e este espaço é ocupado por tudo o que satisfaz a carne. Não confuda prática religiosa com prática espiritual, ou cristã. Em nome da religião os homens levantam partido e matam. A verdadeira fé cristã ela agrega para transformar, ele não separa por diferenças. A fé cristã sara, a religião fere, a fé cristã traz vida, a religião gera a morte.
Sejamos figueiras frutíferas, sejamos arvores plantadas junto a ribeiros de águas, produzamos frutos dignos de arependimento e sejamos instrumentos para sarar esta terra.

Na fé, no esforço e na produção
(R.Silva)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Romanos 12.2

Romanos 12.2

"Não vos conformeis com este mundo, mas Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus"

Essa tem sido a minha preocupação ao longo de toda a minha carreira de fé. O cristão precisa estar sempre atento para não cair em um dos maiores males que é o secularismo. O secularismo não é o uso da tecnologia ou das ferramentas de nossa época, o secularismo não é a aquisição de bens, ou mesmo o pleito por uma formação acadêmica, ou bom emprego. (Desde que Deus seja a prioridade maior, e as demias coisas secundárias). Não, isso não é secularismo. Secularismo é a reproduçao de práticas, métodos, técnicas, modismo e hedonismo. Valores bíblicos, práticas cristãs, comportamento que visa a glória de Deus, tudo isso é desprezado pelo secularismo. O secularismo despreza os valores absolutos de Deus subistituindo esses valores por aquilo que se adequa melhor aos seus próprios interesses. Muitos não estão percebendo mas, o secularismo tem adentrado em muitos redutos evangélicos, e pasmem, a porta de acesso para o secularismo não é da entrada, e sim a dos púlpitos. Nosso contexto imediato é Israel, e este povo enfrentou muitos inimigos, mas, o maior inimigo infrentado não foram os de fora, e sim os de dentro. Entre os anos 166 e 167 a.C. inicia a revolta macabéia. Porque dessa revolta? O helenismo que já havia sido assimilado por muitos em Jerusalém, deveria também o ser na pequena aldeia de Modin. (Ler o Livro À sombra do Templo/Oskar Skaursane-Pg 18) Elias Bickerman chama a atenção para dois pontos importantes. Primeiro, os judeus de Israel haviam sido expostos à influência da cultura helênica muito tempo antes da tentativa de helenização por parte de Antíoco. A violenta helenização de Jerusalém fora instigada não por Antíoco, mas por ciclos influentes com acesso à liderança política e religiosa de Jerusalém. (À sombra do Templo Pg.18)
Sobre isto o próprio livro de Macabeus relata: "Por esses dias surgiram de Israel indivíduos ignóbeis que seduziram a muitos, dizendo-lhes: Vamos! Aliemo-nos às nações que nos cercam, pois, depois que delas nos separamos, sobrevieram-nos muitos males. Agradou-lhes tal arrazoado, e alguns de entre o povo apresseram-se a ir ter com o rei, o qual lhes deu autorização para observar as práticas das nações(ou gentios), conforme o uso delas. (1Macabeus 1.11-15)
Israel foi atacado de dentro pra fora. A igreja enquanto manter sua integridade e sua prática cristã é indestrutível, mas ao abandonar tal prática perde seu valor e sabor e passará a ser pisada pelos homens (Mateus 5.13)
Qualquer semelhança não é mera coincidência, pois o homem tem a tendência de reproduzir os erros do passado, e mais ainda quando este despreza os conselhos bíblicos.
"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos" (Rm 12.2)
"Conformeis": Syschematidzo: moldar de modo semelhante; estar em conformidade com o mesmo padrão. Não precisamos ser igual ao mundo e nem imitar suas práticas e condutas para ganhar o mundo. Isso é mentira. Tem um tal PR muito popular nas mídias sociais e televisivas que usa técnicas da psicologia e da neurolinguística e um palavreado ridículo achando que essa é a forma de transmitir a mensagem de Deus. Para mim a única coisa que esse tal PR deixa claro é a sua carnalidade e vaidade intelectual. Não sejamos simplistas, não podemos ignorar o valor da palavra de Deus e da obediência a ela devida. O que temos hoje são movimentos seculares mascarado de cristão evangélico (amenizando: pode até ser evangélico, mas cristã não) não digo isso generalizando tudo e todos, mas, os frutos mostram quem somos.
"Transformai-vos": Metamorphoô: mudar, transformar; indica a mudança de lugar ou condição; mudar a própria forma.
Essa mudança só é possível por uma obediência irrestrita à palavra de Deus.
Quanto a mudança, por esses dias eu estava acompanhando um PR que eu gostava de ouvir suas mensagens, esse tal PR abriu um ministério próprio, acredito que para ter um crescimento "rápido" segundo suas expectativas ele abriu mão de certos valores, esse abandono inicial proporcionou crescimento numérico mas também lhe causou um certo desconforto pois eu o estava assistindo quando ele "esbravejando" dizia que já estava demais, muitos não estavam tendo um comportamento cristão e a aparência pudorosa era deixada de lado! Não foi ele mesmo que causou tudo isso? Então porque o desconforto?
Não existe cristianismo sem abandono, sem cruz, sem renúncia, sem morte e sem novo nascimento. Nascer de novo, significa nascer para uma nova vida, uma nova conduta, nova prática, e para um novo estilo de vida. Não há como desassociar o cristianismo da doutrina cristã expressa na bíblia sagrada, e não há como obter essa prática cristã sem os ensinos de Cristo e o exercício diário de tais ensinamentos.
A medida que nos afastamos da palavra de Deus morremos.
Não morra, não se afaste da palavra.

Na fe, na obediência e na esperança
(R.Silva)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Salomão



“Salomão, filho de Davi, estabeleceu-se com firmeza em seu reino, pois o Senhor, o seu Deus, estava com ele e o tornou muito poderoso” (2crônicas 1.1)
Salomão um personagem conhecido mundialmente. Sua fama se deu por sua sabedoria e fortuna. Grandes exploradores correram em busca de encontrar seu tesouro. Seu reinado dá inicio ao período áureo de Israel. Se Davi seu pai era o homem segundo o coração de Deus, Salomão por sua vez era o homem amado por Deus. Deus o abençoou com sabedoria e riqueza inigualáveis. Até hoje, Salomão é celebrado. Salomão foi de fato um grande rei, um político nato. Seus acordos políticos lhe garantiram um forte comércio internacional, ele como ninguém soube explorar o comércio, a importação e a exportação, garantindo-lhe assim aumento substancial de sua fortuna e prosperidade para seu reino. Sobre isso diz a Bíblia: “Ouro e prata eram tão comuns em Jerusalém como as pedras no tempo de Salomão” (2Cr 1.15)
Podemos medir a grandeza de Salomão através dos números. Salomão possuía Mil e quatrocentos carros e Doze mil cavaleiros (2Cr 1.14) Cada carro custava 7,200 kg de ouro e cada cavalo 1,200 kg. Salomão arrecadava por ano 23 toneladas de ouro (1Rs 10.14/2Cr 9.13) Os números são impressionantes! Salomão era extravagante. Salomão mandou fazer duzentos escudos grandes de ouro, cada um com três quilos e seiscentos gramas de ouro; também fez trezentos escudos pequenos com um quilo e duzentos gramas de ouro para colocar em seu Palácio da floresta do Líbano (2Cr 9.15,16) Salomão mandou construir para si um grande trono de marfim revestido de ouro puro, o trono possuía seis degraus, e um estrado de ouro fixo nele. Nos dois lados do assento havia braços, com um leão junto a cada braço. Doze leões ficavam nos seis degraus, um em cada lado. (2Cr 9.17-19) Salomão em seu primeiro sacrifício de dedicação do templo, juntamente com o povo ofereceram tantos sacrifícios que não era possível contar (2Cr 5.6)
Com este ultimo relato alguém pode imaginar que este rei não passava de um esnobe e extravagante monarca. Não podemos ficar com esta impressão. Por mais impressionante que possam parecer estes relatos, a maior ambição de Salomão não estava no ouro ou na prata. Veja o relato.
Salomão passou os quatro primeiros anos de seu governo estabelecendo-se, fazendo acordos, ajustes e organizando-se para a maior obra de sua vida (ver caps 1 ao 3 de 2Cr) do capitulo 3 ao 5 Salomão está na empreitada de construir o templo, e isso durou sete anos (ver caps 3 ao 5 de 2Cr) para Salomão esse seria o seu maior legado (peço a atenção de todos para este momento da história de Salomão) olhemos para este homem motivado por sua missão de construir algo de suma importância para si, seu povo e toda a humanidade: O templo. Salomão sabia da importância dessa obra, ele sabia o que aquela construção representava. Ele faz tudo certo, tudo meticulosamente pensado. (2Cr 5.4) A arca é conduzida para o templo, levada pelos levitas é claro. Estando a arca no templo e tudo já em seu devido lugar, então começa a cerimônia de dedicação do templo. O rei e todo Israel oferecem sacrifícios ao Senhor (2Cr 5.6) após os sacrifícios e os louvores terem sido entoados ao Senhor a casa encheu-se da presença do Senhor (2Cr 5.13) Era tão intensa a presença que os sacerdotes não podiam andar (2Cr 5.14) Salomão então ora a Deus, e o templo então foi dedicado ao Senhor. O rei se apresenta como o UNGIDO, exercendo assim o ministério de rei e sacerdote.
Salomão está em seu ápice espiritual, vivendo seu melhor momento. Não é a sua fortuna que importa, não é seu poder de monarca que impressiona, é a presença de Deus que faz deste rei e deste reino diferente de todos.
A busca particular de Salomão.
Salomão ofereceu sacrifícios de agradecimento e de dedicação ao Senhor (2Cr 5.6) Salomão orou em favor do povo de Israel e também por todos os povos (2Cr 6.12-40) e Deus deu sinal que atenderia a sua oração ao descer fogo do céu e consumir o holocausto e os sacrifícios (2Cr 7.1) Salomão poderia se dar por satisfeito, mas esse homem quer algo mais, ele precisa de algo mais, então ele faz o que para muitos poderia ser visto como um exagero. Salomão oferece 22 dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas (2Cr 7.5) por quê? Qual a razão disso? Salomão precisava de algo para si. O homem que possuía tudo precisava de algo mais? O que é mais importante, o que tem mais valor, o que realmente satisfaz? Eu respondo. Só quem já experimentou a presença de Deus sabe que não há nada mais importante, ou que traga mais sentido à vida do que a presença de Deus. “Então aconteceu que o Senhor apareceu a Salomão” (2Cr 7.12) Quando leio este texto eu me lembro logo de outro (At 2.2) “de repente veio do céu”. A busca por Deus não pode ser medida por números, e sim pelo resultado. Quando existe disposição para buscar a Deus não se pensa em quanto, ou quando, e sim na experiência marcante do encontro. Eu olho para a Bíblia e vejo os “de repente”, é assim que as coisas sobrenaturais acontecem: De repente! Não pode haver ansiedade destruidora, decepcionante, desgastante, enfadonha, e sim, uma busca alegre e desejosa. Os sacrifícios primitivos eram uma espécie de oração, uma oração demonstrada através de atos de sacrifícios, era uma das formas de se buscar a Deus, e digo que era a forma que o adorador demonstrava toda a sua devoção a Deus, pois era isso que seu sacrifício, ou o tipo de sacrifício mostrava. Para Salomão, não havia nada de mais importante ou valioso do que a presença de Deus, ele mesmo dá provas disso. Sua história de vida possui muitas nuances, porém, por fim ele define o significado e propósito da existência humana da seguinte forma: “Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarde seus mandamentos; porque isso é todo o dever do homem” (Eclesiastes 12.13)
Eu vejo neste homem Salomão, e nas suas palavras a definição da satisfação humana. Agostinho disse: “Antes de encontrarmos a Deus todos andamos desassossegados”, esta frase define Salomão, todo desassossego acaba no momento que ele encontra a Deus, após experimentar tudo o que o seu coração desejou, ele então se volta para Deus e reconhece que Deus supre a necessidade máxima do homem.
Os números na vida de Salomão são surpreendentes, mas eles mostram uma coisa: Necessidade de Deus (2Cr 7.5) Maria derrama unguento precioso em Jesus (Jo 12.3-) Alguém diz: “Que desperdício!” Para muitos, demonstrações assim parecem um exagero, e não é, são demonstrações de o quanto se adora e ama a Deus. Ninguém deve nos julgar por nossas atitudes de devoção a Deus, muitos ficam paralisados, gélidos, mudos e engessados. Os verdadeiros adoradores são espontâneos e dispostos a oferecer sacrifícios de louvor que para muitos aparecerá como extravagante. Não se importe, ofereça o melhor para Deus.

Na fé, na adoração e na esperança.

(R.Silva)


Os Falsos Profetas

Abrindo a Bíblia Texto: Mateus 7.15-20 Reflexão de Hoje: Os Falsos Profetas “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresent...